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Maestria em cada nota

Maestria em cada notaMaestria em cada notaMaestria em cada nota

Descubra as cordas friccionadas com radioamarelo.com

No princípio foi uma colcha de retalhos.... de instrumentos....

A história da família de cordas friccionadas é uma mistura de cores, sabores, texturas, ritmos, línguas, linguagens....


Difícil falar do surgimento do violino, violoncelo e viola sem mencionar outros instrumentos de arco mais antigos como o rebab árabe (da imagem) que, chegando na Espanha, teve influência da vihuela (instrumento que parecia um violão e era tocado como um violão), adaptada como instrumento de corda friccionada deu origem à viola da gamba (gamba significando perna), as pernas que seguravam o instrumento. O nome era uma oposição à viola da mano (a vihuela original tocada como violão). Depois nasceria a viola da braccio, quando as violas¹da gamba começaram a ser tocadas como a rabeca, essas eram muito parecidas com as rabecas que vemos hoje no Brasil, inclusive com variedade de formatos, timbres, afinações e repertório mais popular.


Outro instrumento medieval que também fez parte dessa história foi o hurdy-gurdy ou viela (sim, vem do nome vielle -  uma redução do termo 'vielle à roue' ) , instrumento mecanizado que fazia uma melodia por acionamento de teclas enquanto a manivela mantinha uma harmonia de fundo produzida por cordas soando ininterruptamente, criando uma (ou mais) nota(s) pedal. Mais tarde surgiram outros como a Lira da Braccio e Lira² da Gamba, que geralmente também possuíam cordas de 'nota-pedal'.


Dos primeiros instrumentos friccionados sendo tocados exclusivamente na vertical, agora temos instrumentos que começaram a subir para serem tocados equilibrados ao peito e se horizontalizar nos braços. Com e sem trastes, foi uma fase de experimentação de modelos, tamanhos, timbres, arcos...


De um pouco de cada um desses instrumentos, começou a aparecer padrões, de  tamanhos, afinações, na posição da cintura, posição do que hoje chamamos de 'F's.... surgem instrumentos com curvas mais fixas e menos cordas até Gasparo de Salò e família Amati  consolidarem um padrão para os canônicos Stradivari e Guarnieri aprimorarem e solidificarem. O violino é um diminutivo de viola (que surgiu antes); e o violoncelo surgiu um pouco antes dos dois, de uma evolução da viola da gamba, sendo o diminutivo de violone (um instrumento mais grave que precedeu o contrabaixo). 


A cintura característica de tais instrumentos se deve, principalmente, à necessidade de se passar o arco com mais desenvoltura e liberdade pelas cordas sem perder em caixa acústica ou esbarrar nas bordas do instrumento. O violino e a viola subiram ainda mais no corpo dos instrumentistas, a afinação mudou, as cordas que eram de tripa passaram a ter ligas metálicas. O repertório não exigiu mais mudança alguma e assim o instrumento permanece quase o mesmo por cerca de 300 anos.


1. Provavelmente daí surgiu a confusão com a viola caipira, a base "viol" em português manteve a origem vihuela (corda pinçada), mas que na maioria das outras línguas foi a base para instrumentos de cordas friccionadas, enquanto para cordas pinçadas foi mais popularizado o termo guitarra.


2. É importante observar que, embora lira da gamba/da braccio, viola da gamba/braccio, se pareçam em nome, tinham a forma do corpo  diferentes, além, as liras eram geralmente afinadas com cravelhas frontais e as violas, laterais.


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